Há bué que não posto nada no blog, nada de jeito anda a sair com a minha nova vida, trabalhar e fazer faculdade, quer dizer ideias não me faltam, o problema é tempo pra escrever, mas dessa vez trouxe um texto onde juntei o útil ao agradável, afinal é um texto que foi produzido para a disciplina de Competências Pessoais quando o professor tava a falar das funções de linguagem e calhou-me produzir um texto usando a função emotiva, escusado será dizer que usei e abusei dessa função, os olhares e o silêncio ensurdecedor na turma confirmaram isso mesmo hahahahahaha, enjoy it!

Escuridão, treva, desilusão, o meu estado de espírito é o mais soturno e pernicioso dentre os seres humanos, pesadelos enigmáticos, desequilibrados e torpes, me assombram a cada fechar dos olhos à noite, durmo com uma arma ao lado e uma das balas está reservada para mim, falsidade, morbilidade… as noites são todas iguais, doses extremas de antipsicóticos, já não consigo distinguir o imaginário do real, pessoas não me entendem ou pelo menos não se esforçam para isso, solidão é o meu amigo mais próximo e íntimo, quarto cozinha, cozinha quarto… pratos, colheres, facas, garfos e copos, catalogando a casa para ver se o tempo passa, faz frio lá fora, a selva de pedra que é impiedosa, num sistema canibal onde um humano não sente vergonha e muito menos pudor em dilacerar o próximo, o nível da intolerância com as diferenças e com a minoria é mais extrema do que a quantidade de CLOZAPINA e QUETIAPINA que geralmente circula na minha corrente sanguínea! Acendo mais um cigarro, o sétimo em 15 minutos, o suicídio lento se processa, enquanto não ganho coragem para o fazer de maneira rápida, o relógio marca exactamente meia-noite e dezassete minutos, tentando matar o tempo para que ele não me mate… Minha psicose aumenta, escuto vozes, mesmo a tentar não ouvi-los, sei que não passam de fruto da minha imaginação, uma réstia de esperança emerge do fundo do poço, a vontade de viver é mais forte, procuro motivos para que assim seja, sem amigos, sem família, sozinho nesse planeta que 7 bilhões chamam de lar, convenço-me, apenas mais um número para engrossar a estatística é o que serei, decisão tomada e a possibilidade de voltar atrás é nula, mas isso já sabes, afinal se estás a ler essa carta é porque o meu corpo sem vida se encontra por perto, a bala que reservei para mim, sempre cumpriu o seu propósito.
PS: Desculpem-me pelo sangue!
